O livro Pensamento em audiovisual: os planos infinitos da Filosofia aplicada, da jornalista Juliana Goss, nasceu de uma pequena viagem a um labirinto. Tive o privilégio de acompanhá-la em alguns trechos e posso assegurar que o “perder-se” foi uma etapa tão importante do percurso quanto o encontrar-se. E é disso que trata este trabalho: dos lugares pelos quais devaneamos durante o livre exercício do pensar, sujeitos a chuvas e tempestades, mas também a paisagens nunca vistas. Simples assim.
No início, o mapa a ser seguido na pesquisa parecia um daqueles percursos que nos dão os melhores aplicativos, cheios de vozes, alertas e setas. Margem de erro: quase zero. Juliana — a bordo de seu interesse crescente pelo uso e produção de audiovisual em sala de aula — dispôs-se a estudar as metodologias de ensino da Sociologia no ensino médio. Parecia líquido e certo que, nessa disciplina, houvesse farta projeção de trechos de filmes — com a intenção de ilustrar teorias e provocar debates entre estudantes — e, o que mais lhe interessava, hordas de adolescentes produzindo seus próprios documentários e ficções. O melhor dos mundos.
Havia a fumaça e o fogo. Notícias a respeito não faltavam. Desde a popularização dos celulares com múltiplos dispositivos, nos anos 2000, ouvia-se falar de professores hábeis em orientar suas turmas na arte da filmagem, de modo a sair da casca. A estratégia educacional era saudada com fogos de artifício em praça pública, como se unisse Piaget, Montessori, Vygotsky, Illich, Freire e toda a turma para um arrasta-pé animado.